segunda-feira, 27 de junho de 2011

Como plantar: Uva

A produção da fruta poderá ser direcionada para o consumo in natura ou para a fabricação de sucos e vinhos
Texto João Mathias
Consultor Jair Costa Nachtigal*


Não é todo mundo que sabe que as uvas consumidas in natura nem sempre são as mesmas utilizadas na fabricação de vinho. O que significa que é preciso ter certeza de qual frente se quer explorar antes de se eleger uma variedade para o plantio.

A rústica videira, que pertence à família Vitaceae, conta com diversas espécies. Uma das mais destacadas é a Vitis vinifera, oriunda da Europa e que produz variedades majoritariamente voltadas para a fabricação de vinhos finos (como, por exemplo, a variedade cabernet sauvignon). Muitas dessas cultivares não se prestam ao consumo direto, mas há honrosas exceções, como a uva do tipo itália.

Outra espécie bastante difundida é a Vitis labrusca, originária da América do Norte, e por isso conhecida como uva americana. Suas variedades são mais adequadas para servir como porta-enxerto ou para produzir frutas de mesa (como a niágara rosada), sucos ou mesmo vinhos mais populares (como a isabel).

As uvas possuem diversas propriedades benéficas à saúde. Elas protegem o sistema circulatório e o coração; têm propriedades antioxidantes, o que significa que impedem a ação de radicais livres no organismo; apresentam características antiinflamatórias; inibem a aglomeração das plaquetas sangüíneas, reduzindo os riscos de ocorrência de infartos e derrames; além de impedir alguns processos desencadeadores do câncer. A fruta ainda é boa fonte de vitamina C e do complexo B, rica em minerais como magnésio, enxofre, ferro, cálcio e fósforo.

O melhor desenvolvimento da videira ocorre em regiões de clima mediterrâneo. Apesar disso, adapta-se a diferentes condições climáticas. A planta prefere temperaturas entre 15 e 30 graus, faixa que influencia o processo de fotossíntese, a produtividade e a duração dos dias entre floração e colheita, período que deve contar com muita luminosidade. Com exceção dos encharcados, a videira vai bem em qualquer tipo de solo.

Por ser trepadeira, a cultura precisa de suporte para a sustentação dos ramos. A latada ou pérgola é formada por malhas suspensas a cerca de dois metros do chão. As plantas são, assim, conduzidas na horizontal, o que permite um melhor desenvolvimento e maior produção. O sistema mais utilizado para produção de uvas para vinhos finos é a espaldeira.

Nesse caso, a videira é conduzida na vertical, em armações formadas por postes, com dois ou mais fios de arame, numa estrutura de uma cerca.

A enxertia é a prática comum de plantio para as cultivares de Vitis vinifera e para os plantios comerciais das variedades de Vitis labrusca. As variedades utilizadas como porta-enxertos são mais precoces e apresentam um maior vigor e resistência a pragas de solo.

Raio X
SOLO: areno-argiloso, fértil e bem drenado
CLIMA: temperatura entre 15 e 30 graus
ÁREA MÍNIMA: um pergolado no jardim
COLHEITA: de 85 a 200 dias do início do cultivo
CUSTO: preço da muda varia de 1,5 a 3,5 reais
Mãos à obra
INÍCIO – compre mudas de produtores registrados no Ministério da Agricultura. O preço varia de 1,50 a 3,50 reais. Variedades comuns, como niágaras e isabel, podem ser propagadas por estacas da própria cultivar, sem precisar de enxertia. Além disso, elas são menos sensíveis às pragas e doenças e mais adequadas a pequenos espaços.
PLANTIO – há dois períodos indicados. Se a muda for um enxerto de raiz nua, a melhor época é de julho a agosto. Se for muda de torrão, pode ser feito em qualquer época, desde que seja possível irrigar. Caso contrário, a época recomendada ao cultivo é de outubro a dezembro. Como a planta é trepadeira, indica-se montar um caramanchão para dar suporte ao de senvolvimento da parreira.
ADUBAÇÃO – como há orientações específicas de adubação, procure um profissional especializado. O solo deve ser areno-argiloso, fértil, bem drenado, com pH na faixa de cinco a seis, e declividade inferior a 20%.
ESPAÇAMENTO – os mais usados vão de 2 x 2 metros até 3 x 3 metros. Mas variam conforme a cultivar, porta-enxerto, sistema de condução, condições de clima e solo e manejo.
TRATOS – a videira precisa de podas de formação e de produção. A de formação é executada desde o plantio da muda até a planta ganhar o tamanho e o formato desejados. A poda serve para manter o equilíbrio entre o vigor da vegetação e a frutificação. Faça todos os anos, quando a planta estiver no período de repouso (inverno), ou quando surgirem as primeiras brotações nas pontas dos ramos.
AMBIENTE – evite cultivar as videiras em locais sujeitos a ventos fortes, ou use quebra-ventos. A planta apresenta boa adaptação em regiões com temperaturas de 15 a 30 graus. Recomendam- se locais com muita luz do período da florada até a maturação das uvas. Dependendo de clima e tempo, a videira precisa de 500 a 1,2 mil mililitros de chuva.
REPOUSO – as condições locais de plantio precisam contar com temperaturas baixas nas regiões de clima subtropical e temperado, e pouca chuva em regiões de clima tropical semiárido. São ideais para a indução do repouso hibernal das videiras, necessário para obter desenvolvimento adequado das gemas, crescimento vegetativo vigoroso e boa frutificação.
PRODUÇÃO – da poda à colheita, o plantio demora de 85 a 200 dias. O que determina o período são a intensidade luminosa e a temperatura. Indica-se a irrigação para garantir maior produtividade e qualidade.


*Jair Costa Nachtigal é pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Estação Experimental Cascata, Caixa Postal 403, Rodovia BR-392, Km 78, CEP 96001-970, Pelotas, RS, tel. (53) 3277-9700
ONDE COMPRAR: recomenda-se adquirir as mudas apenas de viveiristas registrados no Mapa – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A Embrapa Transferência de Tecnologia comercializa mudas de algumas cultivares, PqEB – Parque Estação Biológica, s/nº, Av. W3 Norte (Final), Edifício Sede, Térreo, Plano Piloto, CEP 70770-901, Brasília, DF, tel. (61) 3448-4522, sac.snt@embrapa.br
MAIS INFORMAÇÕES: Embrapa Uva e Vinho, Rua Livramento, 515, CEP 95700-000, Bento Gonçalves, RS, tel. (54) 455-8000, sac@cnpuv.embrapa.br


http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC1664546-4529,00.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário